O Deus Njord, Magia e os Deuses Vanir
AUTOR: Fale-me sobre outro de seus deuses.
IRMANDADE DE ODIN: Outra interessante divindade é Njord, o deus que
aprecia o sal, o mar e o vento. Embora Njord presentemente viva em Asgard com sua
esposa, ele é um Vanir de nascimento.
AUTOR: Quem são os Vanir?
IRMANDADE DE ODIN: Conhecidos nas fábulas como os "resplandescentes",
os Vanir são belos deuses e deusas renomados pelo poder de sua magia.
AUTOR: O que é magia?
IRMANDADE DE ODIN: Magia é um tipo de conhecimento.
AUTOR: E como a magia difere de outras formas de conhecimento?
IRMANDADE DE ODIN: A magia é a tecnologia dos deuses. De acordo com
algumas lendas, ela foi inventada no Mundo-Vanir.
AUTOR: Onde fica o Mundo-Vanir?
IRMANDADE DE ODIN: Na realidade dos deuses, o lugar de nascimento de
Njord está localizado em algum lugar ao leste de Asgard.
AUTOR: E existe um portal que leve ao Mundo-Vanir na Terra?
IRMANDADE DE ODIN: Sim. A mesma abertura que leva à Asgard leva ao
Mundo-Vanir.
AUTOR: Uma vez que eles existem na mesma realidade, os deuses Vanir
normalmente visitam os deuses de Asgard?
IRMANDADE DE ODIN: Sim. Mas não foi sempre assim.
AUTOR: Por que?
IRMANDADE DE ODIN: Em tempos antigos – muito antes de nossos ancestrais
andarem sobre a Terra – os deuses do Mundo-Vanir e os deuses de Asgard travaram uma
guerra que envolveu uma feiticeira chamada "O-Poder-do-Ouro".
AUTOR: E esta guerra está encerrada agora?
IRMANDADE DE ODIN: Sim. A guerra foi longa e amarga, mas por longo
tempo o universo tem vivido com um armistício dos deuses.
AUTOR: E o que mantém a paz?
IRMANDADE DE ODIN: As divindades do Mundo-Vanir enviaram dois dentreos seus para viver em Asgard e as divindades de Asgard enviaram dois dentre os seus para
viver no Mundo-Vanir.
AUTOR: Então ambos os lados trocaram reféns?
IRMANDADE DE ODIN: Está correto. E nesta troca, Njord e seu filho foram
para Asgard.
AUTOR: E por quanto tempo Njord permanecerá em Asgard?
IRMANDADE DE ODIN: De acordo com as lendas, Njord permanecerá em
Asgard até a destruição deste universo.
O Deus Frey e os Elfos
AUTOR: Você mencionou que o filho de Njord também foi para Asgard. Quem é
esse filho?
IRMANDADE DE ODIN: Ele é chamado Frey e ele é o rei dos elfos.
AUTOR: E quem são os elfos?
IRMANDADE DE ODIN: Conhecidos nas lendas como "O-Povo-que-Caminhano-Céu", os súditos de Frey são uma raça de virgens.
AUTOR: Uma raça de virgens?
IRMANDADE DE ODIN: A maioria dos elfos são castos, porque os elfos não
conseguem sobreviver à reprodução.
AUTOR: Uma maldição infeliz.
IRMANDADE DE ODIN: Sim. Para um elfo o jogo do amor pode levar à morte.
AUTOR: Em termos de aparência, os elfos se assemelham aos deuses?
IRMANDADE DE ODIN: Os súditos de Frey são belas entidades com corpos
esculturais e olhos da cor de cobre derretido.
AUTOR: E onde estes elfos vivem?
IRMANDADE DE ODIN: No Mundo-Élfico, um lugar de beleza e fantasia
preenchido com coisas maravilhosas.
AUTOR: Coisas maravilhosas?
IRMANDADE DE ODIN: Coisas encantadas – tais como montanhas de cristal e
florestas de cogumelos gigantes.
AUTOR: E onde este Mundo-Élfico se localiza?
IRMANDADE DE ODIN: O reino de Frey está onde todo rio começa.
AUTOR: Explique.
IRMANDADE DE ODIN: A chuva é onde todo rio começa, portanto o Mundo-
Élfico é em algum lugar na arquitetura das nuvens.
A Deusa Freyja, a Adorável Patrona dos Nascimentos
AUTOR: Fale-me sobre outra de sua divindades.
IRMANDADE DE ODIN: Outra importante divindade é Freyja. Uma Vanir de
nascimento, Freyja juntou-se livremente a seu pai (Njord) e seu irmão (Frey) em Asgard.
AUTOR: Descreva Freyja.
IRMANDADE DE ODIN: Freyja é tudo que é perfeito e feminino. O protótipo
divino do adorável – alegria radiante e graça – Freyja epitomiza a mulher que inspira
nossos sonhos, molda nossas esperanças e rouba nossos desejos.
AUTOR: Freyja parece encantadora.
IRMANDADE DE ODIN: Sim. E quando ela anda através de nossa realidade, o
poder de sua beleza faz as flores desabrocharem e os frutos amadurecerem.
AUTOR: E o que atraí Freyja para o nosso mundo?
IRMANDADE DE ODIN: A adorável Freyja é uma deusa da fertilidade. A
patrona de todas que concebem no prazer e dão à luz na dor, Freyja ama visitar jovens
mulheres que estão grávidas com uma nova vida.
AUTOR: A deusa visita tais mulheres frequentemente?
IRMANDADE DE ODIN: Sim. E Freyja aprecia especialmente a companhia das
mulheres que estão realmente no processo de dar à luz.
AUTOR: O nascimento de uma criança é um momento sagrado.
Excepcionalmente sublime, o nascimento tem sido chamado de a violência mais comum
experimentada pelos humanos.
IRMANDADE DE ODIN: Sim. Freyja ama assistir a luz entrar nos olhos de um
recém-nascido e ela também ama testemunhar o momento quando uma criança recebe seu
nome pela primeira vez.
AUTOR: Por que dar o nome é tão importante?
IRMANDADE DE ODIN: De acordo com as lendas, uma criança não existe até
que tenha um nome.
AUTOR: Os Odinistas tem uma cerimônia especial de nomeação?
IRMANDADE DE ODIN: Temos.
AUTOR: Você poderia descrevê-la para mim?
IRMANDADE DE ODIN: Primeiro, a mãe (ou a parteira) lava o infante recémnascido em água do céu. Água do céu é a chuva que cai dos céus.
AUTOR: Você mencionou a mãe ou a parteira. Um homem pode realizar o rito
de nomeação?
IRMANDADE DE ODIN: Não. O que é novo e fresco é o domínio da mulher.
AUTOR: Entendo. Por favor, continue.
IRMANDADE DE ODIN: Segurando a criança em seus braços, a mãe (parteira)
declara:
Meu filho (minha filha), a fé é um veneno que paraliza a mente. Em todos os
dias de sua vida, procure o conhecimento!
Então, ainda segurando a criança, a mãe (parteira) fala essas palavras:
Meu filho (filha), a inatividade é a mãe da covardia, parasitismo e
esterelidade. Em todos os dias de sua vida, supere e alcance!
E finalmente, a mãe (parteira) ergue o infante para os céus e declara:
Meu filho (minha filha), seu nome é __________. Em honra de Freyja, viva
bem e morra bravamente.
AUTOR: Belas palavras.
IRMANDADE DE ODIN: Sim. E elas são em honra da mais bela de todas as
mulheres.
O Deus Balder e a Aventura da Morte
AUTOR: Em termos de beleza, existe um equivalente masculino de Freyja?
IRMANDADE DE ODIN: Enquanto viveu, o belo jovem Balder era o mais
desejável aos olhos das mulheres.
AUTOR: Enquanto viveu? Balder está morto?
IRMANDADE DE ODIN: Sim. Balder, o filho de Odin e marido de Nanna, foi o
primeiro Asgardiano a experimentar a odisséia chamada morte.
AUTOR: Mas como um deus pode morrer?
IRMANDADE DE ODIN: Todos os deuses morrem. Leia, por exemplo, as
histórias de Osíris desmembrado, o emasculado Attis e o Cristo crucificado.
AUTOR: Sua referência a Cristo me lembra de uma lenda – contada durante os
tempos medievais – que Jesus e o deus-bode Pã pereceram no mesmo dia.
IRMANDADE DE ODIN: Os Odinistas conhecem e acreditam nessa tradição.
AUTOR: E se os deuses morrem, isso significa que todas as outras criaturas
finalmente morrem também?
IRMANDADE DE ODIN: Sim. Todos os seres – deuses e titãs, elfos e anões,
homens e animais – todos enfrentam a morte certa e a decomposição.
AUTOR: E como Balder morreu?
IRMANDADE DE ODIN: Invulnerável ao fogo e água e aço, Balder foi morto
por uma flecha de visco que atravessou seu coração.
AUTOR: Quem disparou o projétil?
IRMANDADE DE ODIN: O deus cego chamado Hod. A ação foi um acidente,
mas Hod pagou pelo erro com sua própria vida, mesmo assim.
AUTOR: As duas mortes soam trágicas.
IRMANDADE DE ODIN: Em certo sentido. Lembre-se, porém, que a morte
também é uma benfeitora.
AUTOR: De qual maneira?
IRMANDADE DE ODIN: Ela é necessária. Sem a morte, a vida eventualmente
se tornaria uma espiral de tédio infinito.
AUTOR: Então a morte dá valor à vida?
IRMANDADE DE ODIN: Está correto. A vida é intensa porque ela é limitada.
AUTOR: Do ponto de vista Odinista, o que é a morte?
IRMANDADE DE ODIN: Em termos poéticos, a própria morte é personificada
como belas mulheres que existem em uma infinita variedade de lindas formas. Estas
mulheres são chamadas as valquírias.
AUTOR: E estas valquírias extinguem a vida?
IRMANDADE DE ODIN: Sim. As gentis mãos das valquírias suave e
voluptosamente cumprem o trabalho de matar.
AUTOR: Nas lendas, as valquírias falam com suas vítimas?
IRMANDADE DE ODIN: Com seus frescos, carnudos e adoráveis lábios, as
"filhas da ruína" proferem uma palavra na língua primordial.
AUTOR: E qual é essa única palavra que as valquírias proferem?
IRMANDADE DE ODIN: Nenhuma entidade viva conhece "A-Palavra-queIncita-Terror", pois todos que a ouvem já foram abraçados pela morte.
AUTOR: Mas Balder agora já conhece a palavra?
IRMANDADE DE ODIN: Está correto.
AUTOR: Você descreveu a morte em termos poéticos. O que é a morte em
termos concretos?
IRMANDADE DE ODIN: De acordo com as lendas de Balder, a morte ocorre
quando a alma inteira deixa o tabernáculo que é o corpo.
AUTOR: E a alma sobrevive à morte?
IRMANDADE DE ODIN: Morte não é aniquilação, portanto a alma perdurará.
AUTOR: Em termos Odinistas, o que é uma alma?
IRMANDADE DE ODIN: A alma é uma forma-vital transfigurada.
Excepcionalmente pura, ela tem a cor e a textura da luz.
AUTOR: E qual é a forma da alma?
IRMANDADE DE ODIN: A alma é uma réplica aproximada do corpo antes do
corpo ser tocado pela causa da morte.
AUTOR: Após a alma ter deixado o corpo, o que ela vivencia?
IRMANDADE DE ODIN: Conforme Balder descobriu, a alma é transportada
para um dos três possíveis "Mundos-do-Além" na margem oposta da realidade.
AUTOR: Descreva esses "Mundos-do-Além".
IRMANDADE DE ODIN: São mundos governados pela lógica onírica.
AUTOR: Lógica onírica?
IRMANDADE DE ODIN: O estado no qual todas as coisas são possíveis e nada é
verdadeiro.
AUTOR: Esses Mundos-do-Além são céus – paraísos que são tranquilos, livres
de preocupações e vastos? Ou eles são infernos – prisões que são hostis, escuras e
sufocantes?
IRMANDADE DE ODIN: Não são nada disso.
AUTOR: Então o que são?
IRMANDADE DE ODIN: Todos os mundos são o que fazemos deles.
AUTOR: Você mencionou que há três Mundos-do-Além.Quais são seus nomes?
IRMANDADE DE ODIN: O primeiro é chamado Reino-Branco ou Valhalla.
Heróis que sofrem mortes violentas vão para lá.
AUTOR: Uma morte violenta é absolutamente necessária para entrar no ReinoBranco?
IRMANDADE DE ODIN: Sim. A menos que a alma saia por uma ferida aberta,
ela não entrará no Reino-Branco.
AUTOR: Em um antigo texto chamado A Saga de Ynglinga, Snorri Sturluson
declara que alguns heróis moribundos marcam seus corpos com as pontas de lanças. Esse
custome ainda é seguido?
IRMANDADE DE ODIN: Se houver sangue durante a morte – não importa quão
pequena a oferenda – a alma encontra o Valhalla. Um homem que conhece esse segredo
possui a chave para o Reino-Branco.
AUTOR: E qual é o segundo Mundo-do-Além?
IRMANDADE DE ODIN: O segundo Mundo-do-Além é chamado Reino-Cinza.
As pessoas que sofrem a morte de palha vão para lá.
AUTOR: Morte de palha?
IRMANDADE DE ODIN: Pessoas que morrem na cama de velhice ou doença.
Suas almas saem através do nariz/boca.
AUTOR: E o Reino-Cinza é aberto apenas para as almas de tais pessoas?
IRMANDADE DE ODIN: Está correto.
AUTOR: E qual é o terceiro Mundo-do-Além?
IRMANDADE DE ODIN: O terceiro Mundo-do-Além é chamado de ReinoNegro.
AUTOR: E quem vai para lá?
IRMANDADE DE ODIN: Homens e mulheres que são assassinados por
feitiçaria. Suas almas saem pelos olhos.
AUTOR: E o que é feitiçaria?
IRMANDADE DE ODIN: Um tipo de magia ilícita.
AUTOR: Você pode ser mais preciso?
IRMANADADE DE ODIN: Feitiçaria é matar com palavras.
AUTOR: E quem usa feitiçaria?
IRMANDADE DE ODIN: Pessoas mórbidas
(1)
, bruxos e todos os que prosperam
na malícia.
NOTA:
(1) "Ghouls", palavra derivada de um termo árabe que significa "demônio que se alimenta de
cadáveres". A opção por "mórbida" quer enfatizar a ideia de pessoas atraídas pela morte e que se utilizam
de atos execráveis para realizar feitiçaria (n. do T.)
Iagre Æsir og Vaner