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sábado, 14 de janeiro de 2012

Rito de Passagem - Funeral Celta


Olá galera hoje vou falar sobre o ultimo Rito de Passagem que um Celta passa, seja ele ligado a um clã ou não, todos nós acreditamos na imortalidade de nossas almas e por vezes isso gera um pequeno conflito entre clãs diferentes (mesmo os que moram no mesmo país, por assim dizer).

Para não adentrar em muitos detalhes, vamos dizer que praticamente os Celtas se dividam em dois grupos em relação a este assunto: os que se prepararam para outro Mundo e os que se preparam para uma futura reencarnação, mas em ambas essas ultimo Rito de Passagem é de certa forma parecida.


A morte não deve ser encarada com tristeza e sim com alegria, aquele nosso companheiro de vida, seja ele novo ou velho, homem ou mulher, presente em nossas vidas o tempo todo ou por alguns dias ou meses, estará se libertando da carne que o carregou durante sua vida para poder desfrutar de lugares e experiências que ainda não estamos prontos para conhecer.

Na época medieval era comum que certas tribos queimassem os corpos de seus mortos em enormes piras de madeira em respeito ao morto e houve casos em que o morto era posto em um pequeno barco e a certa distancia da margem do rio eram ateadas fechas com fogo, levando o morto para a liberdade do vento e seus restos para as profundezas da água.Já os Celtas não praticavam deste costume, todos aqueles que partiam desta vida para a outra deviam estar preparados e cada Clã cuidava disso a sua maneira (por este motivo, mais uma vez não vou me aprofundar nesta parte). Ao longo dos séculos, sítios arqueológicos mostraram ao mundo alguns dos costumes célticos tais como eles viverão a tanto tempo atrás e como a civilização próxima aos sítios mantiveram ou aboliram os costumes.

Para o morto era e em alguns lugares continua sendo preparado um tumulo adornada com objetos que serão necessárias á ele seja no Outro Mundo ou para a próxima vida. Guerreiros eram enterrados com suas armas e pintados como se fossem para o campo de batalha ao invés do tumulo, os homens comuns, por assim dizer, eram enterrados com seus facões ou foices, mulheres comuns com utensílios domésticos como panelas de barro, os sacerdotes, tanto homens quanto mulheres, com seus instrumentos mágicos, athames, bastões e cajados, e os que eram considerados como príncipes e princesas, reis e rainhas eram enterrados com seus ouros e seus objetos valiosos.
Antes de o morto ser entregue ao seu tumulo era muito comum que sua cabeça fosse cortada e esmagada ou simplesmente enterrada há certa distância como prevenção de que seguissem o ciclo da forma correta e não ficassem presos a este Mundo.
Muitas lendas cresceram e foram adaptadas para as culturas existentes, mas uma lenda brasileira, contada pelos Índios sobre a existência da Mandioca deve-se ao fato de flores de sabugueiro sempre estarem presentes nos Ritos Funerários Celtas e estes acreditavam que quando uma muda desta arvore, plantado próximo a um tumulo, crescesse a alma daquele companheiro enterrado estava já em Outro Mundo ou se preparando para sua próxima vida.
Bom galera, este foi o ultimo post sobre os Ritos de Passagem e meu primeiro post deste ano. Estou muito feliz com a aceitação de todos vocês e agradeço a todos que vem nos ajudando estes meses. Qualquer duvida ou sugestão deixe nos comentários.


"Acreditamos ficar tristes pela morte de uma pessoa, 
Quando na verdade é apenas a morte que nos impressiona."

domingo, 25 de dezembro de 2011

Handparting, Divórcio Celta

Olá galera, sei que todos estão em clima de festa hoje, afinal falta apenas uma semana para o inicio de um novo ano no calendário que seguimos no cotidiano. Hoje vou falar um pouquinho mais sobre os Ritos de Passagem para finalizarmos logo este assunto sem muitas demoras.

O Handparting é o que chamamos de divórcio Celta, onde o amor entre o casal como homem e mulher acabaram cedendo lugar ao amor mais fraternal, aquele que dedicamos a quem temos grande apreço e amizade.


O direito ao divórcio em questões legais diante à sociedade não pagã propriamente dita trata-se de um assunto novo já que foi incluído nas leis nacionais somente em 1977. No entanto, o Handparting já era feito há muito tempo.

Para o Celtismo preza-se a liberdade em segundo plano (sendo que o primeiro é a honra aos Deuses), o amor é um sentimento muito inconstante tal como a inspiração, hoje está em nossos corações e quando olhamos aquela pessoa que dizemos amar sentimos uma grande felicidade que não há necessidade de palavras, sabemos que somos felizes e que podemos crescer muito. Num outro instante podemos sentir em nosso peito aquela dor que algo nos falta e sabemos que um ciclo está no fim, é hora de avançarmos para o próximo ciclo sozinhos, mas com o apoio de todos aqueles que temos ao nosso redor.

O Rito em si é muito parecido com o Handfasting, com uma grande celebração do amor maior que nos preenche a vida. O casal se apresenta diante ao Grão-Sacerdote ou Grã-Sacerdotisa e entregam-lhe o laço que os uniu em casamento para que o nó seja desfeito e o casal torne-se ex-companheiros e sigam como grandes amigos e apoiadores um do outro. A mulher recobra totalmente seu dote e sua liberdade.

Um grande banquete é compartilhado por todos os presentes e com certeza os Deuses estarão olhando por seus filhos nesta nova fase que recai sobre o Clã. Este Rito muitas vezes é realizado logo após o divórcio civil, caso houve casamento civil, mas isto pode variar de Coven para Coven.
Bom galera é isto, caso haja duvidas ou sugestões deixem um comentário logo abaixo que vou respondendo assim que possível.


“A amizade é o casamento da alma e este está exposto ao divórcio.
Peço somente o auxílio dos Deuses para continuar minha jornada.”

                                                       



sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Rito de Passagem: Rito de Transição


Ola galera, hoje vou falar sobre de mais um Rito de Passagem e este é feito apenas por meninos, para demonstrar que já são maduros e devem ser visto como rapazes deste momento em diante.
Um ritual feito somente por homens e onde apenas uma mulher é convidada a assistir ao ritual representando a Grande Mãe, que está sempre presente nas mudanças de seus filhos.

 O Rito de Transição acontece quando um garoto atinge a idade de 13 ou 14 anos e sua estrutura física se transforma, pelos começam a crescer em seu rosto e axilas, sua voz se torna mais grossa e é nessa fase que os meninos franzinos começam crescer descontroladamente.


Dentro de um clã isso significa que aquele menino passara a fazer parte dos trabalhos internos se estiver apto para isto. Antigamente o Rito de Transição era uma prova aonde o menino ia para a floresta sozinho e só deveria voltar depois de matar seu primeiro animal, sendo ele um Cervo ou um Javali. O jovem rapaz era lavado com o sangue do animal e se tornava, portanto um guerreiro dentro do clã e assumia deveres de proteger seu Coven e também trazer alimento para o clã.




Hoje devido à fiscalização na proteção dos animais, o Rito de Transição não envolve mais a caça e morte de um animal, mas o menino deve sim passar três dias sozinho em uma floresta ou bosque e quando retornar deve desafiar seu pai para um combate. Os dois travam, portanto uma batalha e essa batalha varia de acordo com o Clã é claro.


Eu sinceramente assisti apenas dois desses rituais e em ambos, pai e filho enfrentavam-se de mãos limpas, sem nenhuma arma, mas já ouvi dizer de casos em que o uso de armas de corte eram inseridas nas batalhas.


Cabe ao jovem mostrar ao pai que não é mais um menino e que desde dia em diante todos devem respeitá-lo como adulto, que seus deveres sejam dignos de suas habilidades e que ele possa dirigir-se ao pai como igual. Coisa que não acontece em sociedades diferentes da nossa, já que um menino de 14 anos para muitos ainda é uma criança que não é levado a serio e que sua voz não pode traçar seu próprio destino ainda.


Bom galera por hoje é só, espero que tenham apreciado este post, por ser um Rito masculino não há muito para que possa acrescentar, mas caso alguém já tenha passado deixei seu comentário conosco.


Um guerreiro que conhece sua força jamais lutará contra alguém 
que não mereça a honra do combate.




sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Rito de Passagem: Rito do Menarca


Olá a todos, continuando com o assunto dos Rituais Celtas e como é dentro de um Clã Celta, hoje vou falar sobre o Rito do Menarca.

 Voltado inicialmente à devoção e idolatração do feminino na Natureza, este Rito nos mostra exatamente com o Celtismo é uma Religião Matriarcal, onde o feminino esteve por muitas vezes acima do masculino, claro que os tempos mudaram e cada vez mais os homens vem se mostrando dignos do amor da Grande Mãe, no entanto este era um Rito praticado apenas pelas mulheres, mas nos últimos anos os homens também têm participado da cerimônia como o equilíbrio do masculino e feminino e em demonstração de respeito pela nova mulher que pertence ao Coven.

Menarca é como é chamada a primeira mestruação de uma mulher, quando ela deixa de lado sua vida infante e se torna uma mulher, e este rito pode variar na vida de uma mulher entre seus 09 aos 18 anos. A partir desta data a criança que se tornou adulta passa a um novo nível de aprendizado e é retirada de perto das demais crianças e aceita nas rodas dos mais velhos. Onde assumira novas responsabilidades dentro do Coven ao qual pertence.


Muitas mulheres do mundo moderno simplesmente odeiam quando estão “naqueles dias” e utilizam do termo TPM para extravasar toda a raiva, angustia e estresse do cotidiano, mas para uma verdadeira devota da Grande Mãe, estes devem ser os dias de maior orgulho dentro de um mês. Ele representa todo o orgulho que uma mulher pode sentir, ela é saudável, fértil e trará muitas felicidades ao futuro.



A cerimônia em si varia muito de Clã para Clã, mas vou relatar o que fazemos no Clã que eu pertencera. As mulheres mais velhas preparavam bolos, pães e doces para a celebração durante a noite e durante todo o dia a Criança-Mulher era presenteada pelos outros integrantes do Coven. Presentes deste lenços e roupas mais femininas eram o principal, mas cabia ao Patrocinador (para mais detalhes confiram neste mesmo blog aqui e aqui ) dar o presente mais valioso para a Criança-Mulher. O presente demonstra o valor desta jovem dentro do Clã levando em consideração suas novas responsabilidades e futuras posições dentro do Coven.



Meu Patrocinador era meu tio que já era o Grão – Sacerdote do Clã quando passei por este rito e ele me deu um cavalo Mangalarga Marchador preto de 03 anos e que nunca havia sido montado, ele era muito dócil, no entanto era teimoso, eu o nomeei de Cavalo de Fogo . Eu estava começando meu aprendizado para a arte druída e para posteriormente me tornar Grã-Sacerdotisa e o Cavalo de Fogo representava tudo isso e mais um pouco.

O Rito do Menarca é considerado por muitas o Rito mais importante que uma mulher passa e por isto é comemorado com muita comida e vinho e durante os meses que se seguem cabem a nova mulher perpetuar todo o encanto e mistério que há neste dia, mesmo quando dizem que temos pacto com o Diabo por que sangramos sete dias e não morremos. Somos mulheres e temos em nós a força da Natureza, o eterno ciclo da Lua está em nós e mesmo que nos traga algumas dores e sensibilidades, estes devem ser os dias mais felizes e esperados dentro de um mês.



“A Mulher é a dona do maior mistério que há no mundo e mesmo quando entendemos o mistério ele continua sendo valioso.”